Dezembro 11, 2009

ENTRADA DOS ESTADOS UNIDOS NA GUERRA

Com o abandono da Rússia, a Quádrupla Aliança adquire um súbito ascendente sobre a Triple Entente. É então que os Estados Unidos da América decidem entrar na guerra. O presidente Woodrow Wilson, que tinha sido eleito em 1916 com o slogan “He kept us out of war?” (Ele manteve-nos fora da guerra), acabaria por perceber que a intervenção americana na Europa era fundamental.
Num discurso ao Congresso americano, único órgão que pode emitir uma declaração de guerra, o presidente dos Estados Unidos da América enunciou as três principais razões para intervir directamente na guerra com a Alemanha:
• Navios americanos, como o Lusitania ou o Sussex, que faziam o transporte de mercadorias para apoiar os Aliados, haviam sido afundados por submarinos alemães. Vidas americanas haviam já sido colhidas pelos alemães.
• Todo o tráfego com os Aliados era resultado de contratos comerciais. As mercadorias haviam, aliás, sido enviadas a crédito. Ao procurar destruir as rotas comerciais atlânticas, a Alemanha afirmara-se contra o livre comércio, contrário aos legítimos interesses económicos americanos.
• Os Estados Unidos da América afirmavam-se como defensores dos regimes democráticos, representados no conflito peias forças aliadas, então em graves dificuldades.
Quando as forças americanas, lideradas pelo general Pershing, entraram na guerra, a França, palco principal do conflito, estava à beira do colapso. A entrada dos Estados Unidos da América permitiu aos Aliados lançar uma contra-ofensiva massiva contra os alemães que não conseguiram resistir à arma aperfeiçoada pelos ameri-canos: o carro blindado (tank). Capaz de proteger tropas em progressão e superar todo o tipo de obstáculo como estruturas de arame farpado e trincheiras, o tank tornou a guerra de trincheiras obsoleta e iniciou uma nova fase da guerra a que alguns historiadores dão o nome de guerra de movimentos.
De Março a Julho de 1918, as forças aliadas, apoiadas pelos americanos, chegam mesmo a entrar em território alemão, comandadas pelo general Foch. Em Outubro de 1918, os alemães, abandonados entretanto por turcos e austro-húngaros, pedem o fim das hostilidades. O Armistício assinava-se na cidade francesa de Rethondes a 11 de Novembro de 1918. A guerra terminara.

Portugal na Primeira Guerra Mundial

A eclosão da Primeira Grande Guerra veio dividir ainda mais a Opinião pública em Portugal. Havia os defensores da nossa participação na guerra e os que se lhe opunham. Todos quantos eram favoráveis à intervenção, liderados por Afonso Costa, defendiam que esta seria a única forma de conservar as colónias de Angola e Moçambique que estavam a ser alvo da cobiça alemã. Além disso, Portugal acabara de destronar a monarquia, em 5 de Outubro de 1910, e esta seria uma forma de promover o reconhecimento oficial da nova república. Não obstante o episódio do Ultimato inglês, no entender dos republicanos, a tradicional aliança com a Inglaterra colocava-nos ao lado das forças aliadas.
Em Fevereiro de 1916, Portugal entra na guerra ao lado da Triple Entente. Quando a Inglaterra pediu ao Governo português que apreendesse os navios alemães que se encontravam ancorados em portos portugueses, na metrópole, nas ilhas ou nas colónias, Afonso Costa atendeu ao pedido e em apenas dois meses confiscou 68 navios.
A Alemanha declarou então guerra a Portugal (9 de Março de 1916). O chefe do Governo português ordenou a Norton de Matos que preparasse um primeiro contingente militar português. Rapidamente, o recém-formado CEP — Corpo Expedicionário Português foi mandado para a frente de batalha na região da Flandres, onde, em La Lys, sofreu uma pesada derrota em que morreram dois mil portugueses, tragédia que comoveu e chocou a nação.
A participação portuguesa na Primeira Guerra Mundial, que envolveu cerca de 36 mil homens, entre os que lutaram em França e os que foram defender as colónias ultramarinas, provocou uma degradação da situação económica da República. O elevado número de vítimas, escassez de produtos coloniais, o desemprego, a subida da inflação e a desvalorização da moeda conduziram o país a um estado de agitação social muito intenso. Greves, desacatos e pilhagens a armazéns de alimentos tornaram-se notícia quase diária nos jornais. Esta dura factura que Portugal teve de pagar acabou, no entanto, por permitir a Portugal conservar as suas colónias na Conferência de Paz de Paris, com o estatuto de país vencedor e tomar assento na Sociedade das Nações, uma importante organização diplomática que iria nascer dos acordos de paz do final da guerra.

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